O infoproletário… (nos tempos pós-modernos?)

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Ainda continuando com mais uma parte do artigo do Erlando Rêses, agora falando sobre o infoproletário, como reflexão de um infomercado:

INFOPROLETÁRIOS
A Obra “Infoproletários – Degradação real do trabalho virtual – lançada pela Boitempo
em 2009 da dupla de sociólogos Ricardo Antunes e Ruy Braga faz um recorte preferencial pelos operadores de telemarketing e trabalhadores de call center, representantes da atual
precarização do trabalho. A tecnologia não aliviou a deterioração do trabalho, apenas a
transformou, diz o sociólogo Ricardo Antunes.

Foi decretado o fim do proletariado? Alguns teóricos e inclusive o ideólogo do governo
norte-americano Ronald Reagan em 1989, Francis Fukuyama, retoma a tese do “Fim da
História” que teve origem em Hegel ainda no século XIX. Essa teoria sustenta, como o nome sugere, o fim dos processos históricos caracterizados como processos de mudança. Para Hegel isso iria acontecer no momento em que a humanidade atingisse o equilíbrio, representado pela ascensão do liberalismo e da igualdade jurídica, mas com prazo indeterminado para ocorrer.

Essa teoria é retomada no final do século XX e de acordo com os seus pensadores, a
História terminou no episódio da Queda do Muro de Berlim. Naquele momento, os
antagonismos de classe teriam terminado, segundo alguns analistas. Fukuyama objetivava
revigorar a teoria de que o capitalismo e a democracia burguesa constituem o coroamento da história da humanidade. Em sua percepção, após a destruição do fascismo e do socialismo, a humanidade teria atingido o ponto culminante de sua evolução com o triunfo da democracia liberal ocidental sobre todos os demais sistemas e ideologias concorrentes.
Ao contrário do que muitos propugnaram o proletariado não acabou. É essa a tese
central do livro “infoproletários”, que também pode ser designado de ciberproletariado. Afinal de contas, de quem se trata? De uma ampla gama de trabalhadores que floresceu nas últimas três décadas a partir do aumento do uso da tecnologia da informação, da globalização e da degradação das condições de trabalho. Esse conjunto de processo originou um tipo de proletário contraditório. Por que contraditório? Ora, ele é de ponta, moderno e usa tecnologia avançada, porém é atrasado, porque herdou condições de trabalho reinantes no início do século XX.

A maior expressão deste tipo de trabalhador é o Operador de Telemarketing. Ele é
submetido á um rígido controle do processo de trabalho, não pode conversar com o colega do lado, tem tempo limitado para ir ao banheiro, é punido se não cumpre as metas e faz um trabalho repetitivo e prescrito ao limite. Tal situação remete imediatamente ao trabalhador da era da maquinaria, tão bem expressado no filme “Tempos Modernos” de Charles Chaplin.

Os serviços de Call Center estão em franca expansão no mundo e é responsável por
uma grande empregabilidade de jovens, que antes de iniciar a jornada de trabalho são
submetidos ao som de músicas agitadas e palavras de ordem para enfrentarem o que virá pela frente. A possibilidade de se rebelar é atomizada porque ele não é um trabalhador é um “colaborador”. Ora, um colaborador não se sindicaliza, não pensa em política, é parceiro e quase um sócio da empresa e todos estão juntos, tanto na “saúde” quanto na “doença”.

Outra dimensão do cibertrabalho é o trabalho a distância. Este é o melhor dos mundos
possíveis para o capital. O espaço físico de um trabalho com uma divisão bem acentuada e
colegas ao entorno subsume para dar lugar ao trabalho em casa (home office), em que o
público e o privado se entrelaçam sem delimitação de espaço, sobretudo, porque não há
definição do que seja trabalho e do que seja ócio e a jornada de trabalho em geral se expande.

O trabalhador fica sempre disponível e pode ser incomodado a qualquer hora por conta do
trabalho, afinal de contas ele não está só em casa, está também no escritório ou local de
trabalho. Perde-se a noção de tempo e todas as suas dimensões e assim, torna-se uma
precarização autorizada pela tecnologia.

Agora é possível pensar numa outra vertente para o trabalho a distância se o
trabalhador dispõe de “capital cultural” ou consciência de sua condição e concorda com o
próprio controle do tempo de trabalho. Porém, o contrário disso é o isolamento, a
individualização, o fim do trabalho coletivo e a quebra dos vínculos sociais.

Depois da leitura vem sempre a pergunta:

Está preparado para infomercado?

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Sobre mphaickel

Professor e escritor, autor do romance "O Cinza da Solidão", na sua 3a. edição, publicado pela Thesaurus Editora.
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