Quem vai querer comprar bananas? Capítulo 8

capitulo8A noite cai, transcorre o tempo e o vento balançando a copa das árvores, frutos, flores, folhas… balanga ali uma copa inteira, as árvores se cumprimentam, se espalham, produzem sombras, arejam os pensamentos…

O vento não se conforma, sacode, arrasta, sopra e o balanço movimenta, força os elos da corrente, geme, a gangorra inverte a posição, o parquinho da quadra procura pela infância desde a janela, tudo vira tela, algazarra, turba, os meninos, que não são mais crianças, são pais muito cedo, Daniel também fora pai muito cedo, cada um com seu cada um, como as árvores ali.

Festejamos, o vento traz para perto e depois leva para longe… o vento é matreiro, os caras também.

A ronda vai começar, reúne, dispersa, dois vão por ali, Logan, vem comigo… caminha, conversa, arruma os livros, repassa o argumento:

— Livros, Logan… sabe bem o que é isso? Tens ideia do poder transformador que os livros têm? Nós vamos vender livros na noite, nos cafés da cidade. Legal, né?

— Menas, professor. Menas…

— Putz, Logan! Menas não existe, carambas!

Divaga, volta no tempo, lembra, lombra… sai de só, por incrível que pareça se multiplica na ação,há uma maneira de acabar com o poder. Partilhando! Socializando o conhecimento, ensinando e aprendendo… vamos lá, mais uma etapa na jornada tripla. Manhã, escola! Tarde, editora; noite, campanha de incentivo à leitura. Sim a aula continuava, o desejo de partilhar a informação local, falar do quintal, autores de nossa cidade, andar pelo Eixão, é andar pelo quintal da humanidade, colhendo frutos das árvores, viajando na poesia aleatória das tesourinhas, do vento, da paisagem, “era setembro ela beijava-me o membro numa manhã primaveril”, uhhhhh, Drummondiando, era assim, a abordagem, sempre com um poema e um sorriso… voz vibrante, no olhar aceso a chama, o desejo por justiça muito grande, por mais equidade, isonomia, paz antes de tudo, porque em paz se divide, sobra tempo para fraternidade, para a troca das sementes, cria-se a tradição… mais um leão a enfrentar, a ignorância!

A abordagem na noite, não deixa de ser um trabalho que aos poucos está se diluindo com a tecnologia. Postos e mais frentes de trabalho foram reduzidas ainda mesmo no processo de produção. Bom, muito bom essa modernidade, globalizante, e ainda assim escravizada ao tic-tac do relógio encardido da repartição. O bicho papão do transcurso, trans-metadados, novos conceitos, novas leituras, equivocadas? certas? absurdas? loucas? nem tanto ao céu, nem tanto ao mar? vai saber? tem que perguntar? é preciso antes colecionar, trazer à luz, permitir, ouvir, libertar, mostrar e dizer que pode, que todo mundo tem acesso, tá tudo aí… dentro! hahahahahaha, brincadeira, mas é sério! Irmão tamojunto! é nois queiróz! zoroz… a abordagem tem que ser capoeira, angola, miudinha, na ginga e no chão, boca de siri, armada, olho no olho, eu falo e escuto… a esquiva é sempre a primeira saída, mas tem que voltar pra roda, não pode deixar escapulir, um olho atento e outro contente… vamos lá, ginga que eu quero vê. É capoeira, é luta mas é dança, é munganga, é no chão, dentro sem machucar! vale bisca, mas não vale beliscar! é ação e reação, bom mesmo quando rola interação, o jogo vira comércio, vai além fronteira, vai a quem entende, evolui pra´lem do casco, o tempo muda, mudou também as distâncias, tudo muda de lugar, o mundo gira a noite avança… e tudo começa e termina, mas só termina quando acaba, e ainda tava longe de acabar…

Amanhã continua.

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Sobre mphaickel

Professor e escritor, autor do romance "O Cinza da Solidão", na sua 3a. edição, publicado pela Thesaurus Editora.
Esse post foi publicado em Folhetins Literários e marcado , . Guardar link permanente.

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